Hospital Moinhos de vento

Taquicardia, com pulso, em adultos na sala de emergência - investigação e manejo

Detalhes

Data criação:

01/12/2013

Data última revisão:

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Objetivos:

Orientar a avaliação e manejo de pacientes com taquicardia na sala de emergência.

Especialidade:

Cardiologia

Departamento:

Hospital Moinhos de Vento, Sistema de Saúde Restinga e Extremo-Sul

Patologias relacionadas:

R000 - Taquicardia não especificada

Palavras-chave:

ACFA, adenosina, FA, fibrilação, flutter, FV, reentrada, supraventricular, taquicardia, TV, WPW

Links

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Anexos

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Adulto com taquicardia (FC ? 150 bpm) [ i ]

Considerações

  

  • Taquicardia é definida como uma arritmia com presença de frequência cardíaca (FC) acima de 100 batimentos por minuto (bpm). No entanto, é considerada, mais provavelmente, como causadora de sintomas quando a mesma apresenta ao menos 150 bpm;
  • Uma frequência cardíaca elevada é resposta apropriada/fisiológica a uma série de condições (febre, desidratação) ou outras condições. Quando se avalia um paciente taquicárdico, deve ser tentado definir se a taquicardia é a causa primária dos sintomas ou secundária a outra condição de base, que esteja causando tanto a elevação da frequência cardíaca quanto o desencadeamento dos sintomas observados;
  • Taquicardia sinusal: nenhuma droga específica deve ser administrada para corrigir a frequência cardíaca; ao contrário, deve ser os esforços terapêuticos devem ser direcionados para a identificação e correção das condições de base.

Referência(s):
Neumar RW, Otto CW, Link MS, Kronick SL, Shuster M, Callaway CW , et al. Part 8: adult advanced cardiovascular life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010 Nov;122(18 Suppl 3):S729-67.

Manejo inicial, monitorização e suporte [ i ]

São consideradas medidas de avaliação inicial e suporte:

  • Manter via aérea patente; suporte ventilatório conforme necessidade e
  • O2 suplementar se saturação<94% ou desconforto ventilatório e
  • Monitorização cardíaca contínua, monitorizar pressão arterial, oximetria e
  • Acesso venoso periférico.

Referência(s):
Neumar RW, Otto CW, Link MS, Kronick SL, Shuster M, Callaway CW , et al. Part 8: adult advanced cardiovascular life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010 Nov;122(18 Suppl 3):S729-67.

Avaliar presença de instabilidade [ i ]

A presença de qualquer uma das condições a seguir configura situação de instabilidade:

 

  • Hipotensão  e/ou
  • Alteração aguda do estado mental e/ou
  • Sinais de choque e/ou
  • Dor torácica e/ou
  • Insuficiência cardíaca aguda.

Referência(s):
Neumar RW, Otto CW, Link MS, Kronick SL, Shuster M, Callaway CW , et al. Part 8: adult advanced cardiovascular life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010 Nov;122(18 Suppl 3):S729-67.

Cardioversão elétrica [ i ]

 

Considerar sedação

 

 

Para cardioversão sincronizada são recomendadas as seguintes doses:

  • Complexo QRS estreito, ritmo regular: 50-100 Joules
  • Complexo QRS estreito, ritmo irregular: 120-200 Joules em modo bifásico OU 200 Joules em modo monofásico
  • Complexo QRS largo, ritmo regular: 100 Joules

 

Na presença de complexo QRS largo e ritmo irregular, administrar dose de desfribilação 200j bifásico ou 360j monofásico (cardioversão NAO-sincronizada).

 

Na dúvida entrte TV monomórfica e TV polimórfica em paciente estável, não atrase o tratamento: administre dose de desfribilação (cardioversão NAO-sincronizada).

Referência(s):
Neumar RW, Otto CW, Link MS, Kronick SL, Shuster M, Callaway CW , et al. Part 8: adult advanced cardiovascular life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010 Nov;122(18 Suppl 3):S729-67.

Avaliação do especialista [ i ]

Considerações importantes:

 

  • Atentar para possibilidade de taquicardia sinusal secundária a outra causa que justifique instabilidade;
  • Avaliar possibilidade de choque séptico ou choque distributivo/obstrutivo;
  • Corrigir distúrbios hidroeletroliticos e acidobase;
  • Avaliar possibilidade de envenenamento ou overdose de drogas.

Taquicardia com QRS largo [ i ]

São taquicardias com complexo QRS largo:

 

  • Taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular;
  • Taquicardia supraventricular com aberrância;
  • Taquicardias com pré-excitação antidromica (associadas ou mediadas por feixe acessório);
  • Ritmos determinados por marcapassos ventriculares;
  • Taquicardia com QRS alargado e irregular= considerar Fibrilação atrial em pcte com feixe acessório. Nestes casos, não utilizar bloqueadores do nodo AV (tais como, adenosina, bloqueadores dos canais de cálcio, digoxina e betabloqueadores).

Considerar: Adenosina, IV, apenas se taquicardia regular e monomórfica + Antiarrítmicos + Avaliação de especialista [ i ]

Podem ser usados os seguintes antiarrítmicos:

 

 

ADENOSINA

  • NAO deve ser administrada se paciente instável ou taquicardia irregular ou polimórfica.

 

PROCAINAMIDA

  • Dose, intravenosa, 20-50 mg/min até supressão da arritmia, aparecimento de hipotensão, aumento do QRS em 50% ou dose máxima de 17 mg/Kg tiver sido administrada.
  • Manutenção da infusão: 1-4 mg/min
  • Evitar se QT prolongado ou Insuficiência cardíaca

 

AMIODARONA

  • Primeira dose: 150 mg, intravenosa,  em 10 minutos
  • Repetir se taquicardia ventricular ocorrer
  • Dose de infusão de manutenção de 1 mg/min nas primeiras 6h

 

SOTALOL

  • 100 mg (1,5 m/Kg) em 5 minutos
  • Evitar se QT prolongado

Referência(s):
Neumar RW, Otto CW, Link MS, Kronick SL, Shuster M, Callaway CW , et al. Part 8: adult advanced cardiovascular life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010 Nov;122(18 Suppl 3):S729-67.

Taquicardia com QRS estreito [ i ]

São taquicardias com QRS estreito:

 

  • Taquicardia sinusal;
  • Taquicardia sinusal inapropriada;
  • Taquicardia supraventricular por reentrada nodal;
  • Taquicardia supraventricular por reentrada AV ortodrômica (feixe acessório);
  • flutter ou fibrilação atrial;
  • Taquicardia atrial;
  • Taquicardia atrial multifocal;
  • Taquicardia juncional.

Manobras vagais [ i ]

São recomendadas, principalmente, as seguintes manobras vagais:

  • Manobra de Valsalva;
  • Massagem do seio carotídeo.

 

As manobras vagais devem ser a escolha terapêutica inicial para pacientes com taquicardia supraventrixcular paroxística (TSVP). As manobras vagais isoladamente vão determinar cessação de até 25% de todas TSVP's.

Para outras TSVP's, as manobras podem reduzir a frequência ventricular transitoriamente e potencialmente assistit no diagnóstico e identificação do ritmo correto, mas não irão determinar cessação da arritmia.

Referência(s):
Neumar RW, Otto CW, Link MS, Kronick SL, Shuster M, Callaway CW , et al. Part 8: adult advanced cardiovascular life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010 Nov;122(18 Suppl 3):S729-67.

Adenosina intravenosa [ i ]

Não utilizar adenosina, bloqueador de canal do cálcio ou beta-bloqueador na suspeita de fibrilação atrial ou flutter atrial em contexto de síndrome de pré-excitação.

 

Administrar adenosina, por acesso periférico, preferencialmente por grande vaso (veia da fossa antecubital) da seguinte maneira:

  • 6 mg, intravenoso, seguido de flush de solução fisiológica de 20 ml
  • Se ritmo não converter em 1-2 minutos, administrar 12 mg, intravenoso, seguido de flush de solução fisiológica de 20 ml, podendo-se repetir uma segunda dose de 12 mg se a primeira falhar em converter o ritmo.
  • Desfibrilador deve estar disponível (risco de início de arrimia mais complexa, especialmente em paciente com pré-excitação)

 

Observações:

  • Adenosina é segura e efetiva em gestantes
  • Dose inicial reduzida (em 50%, logo, 3 mg, com doses subsequentes de 6 mg) em pacientes recebendo dipiridamol, carbamazepina, submetidos à transplante cardíaco ous e administrada por acesso central
  • Efeitos adversos são comuns, mas transitórios, como dispnéia, flushing, desconforto torácico, etc.
  • NAO deve ser administrada em pacientes com asma.

Referência(s):
Neumar RW, Otto CW, Link MS, Kronick SL, Shuster M, Callaway CW , et al. Part 8: adult advanced cardiovascular life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010 Nov;122(18 Suppl 3):S729-67.

Bloqueador de canal de cálcio não-dihidropiridínico OU Beta-bloqueador [ i ]

Não utilizar adenosina, bloqueador de canal do cálcio ou beta-bloqueador na suspeita de fibrilação atrial ou flutter atrial em contexto de síndrome de pré-excitação.

 

Bloqueadores de canal de cálcio não-dihidropiridínicos 

  • Verapamil: 2,5 mg a 5 mg, intravenoso, em bolus, em 2 minutos (em 3 minutos em pacientes idosos). Se não houver resposta e também não houver efeito adverso da droga, repetir doses de 5 mg a 10 mg a cada 15-30 min, até total de 20 mg.

             Regime alternativo seria administrar 5 mg, intravenoso, em bolus, a cada 15 minutos, até dose total de 30 mg.

             Verapamil deve ser administrado APENAS para taquicardias supraventriculares de reentrada com QRS estreito ou arritmias com origem supraventricular definida.

             Verapamil NAO deve ser administrado para pacientes com taquicardias com QRS largo (≥ 12s); NAO deve ser administrado em pacientes com insuficiência cardíaca ou              disfunção ventricular.

 

  • Diltiazem

 

Beta-Bloqueador

Uso cauteloso em pacientes com insuficiência cardíaca e/ou DPOC.

 

 

 

Cautela deve ser exercitada ao se combinarem diferentes fármacos. A combinação de adenosina (bloqueador AV de curta ação) com bloqueador do canal do cálcio ou beta-bloqueador (bloqueadores AV de longa ação) é mais segura.

Já a combinação sequencial de bloqueador de canal de cálcio com beta-bloqueador, considerando que seus efeitos podem se sobrepor, pode determinar profunda bradicardia.

Referência(s):
Neumar RW, Otto CW, Link MS, Kronick SL, Shuster M, Callaway CW , et al. Part 8: adult advanced cardiovascular life support: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010 Nov;122(18 Suppl 3):S729-67.

15/10/2019 10:29:07