Anamnese + Exame físico + Eletrocardiograma de 12 derivações (ECG) + Exames laboratoriais + Raio X de tórax

Anamnese

 

Recomendamos, à apresentação, anamnese breve e focada na avaliação de:

 

  • Histórico
    • História de IC - Razão de Probabilidade (RP) 5.8, Intervalo de Confiança (IC) 95% 4.1-8.0;
    • História de infarto agudo do miocárdio - RP 3.1, IC 95% 2.0-4.9;
    • História de doença arterial coronariana - RP 1.8, IC 95% 1.1-2.8;
    • Diabetes mellitus - RP 1.7, IC 95% 1.0-2.7;
    • Hipertensão - RP 1.4, IC 95% 1.1-1.7;
  • Sinais e sintomas de IC
    • Dispneia paroxística noturna - RP 2.6, IC 95% 1.5-4.5;
    • Ortopneia - RP 2.2, IC 95% 1.2-3.9;
    • Dispneia ao exercício - RP 1.3, IC 95% 1.2-1.4.
  • Possíveis fatores contribuintes para o quadro agudo;
  • Comorbidades;
  • Medicações em uso.

 

Exame físico

 

Ao exame físico, preconizamos a medida objetiva do grau de dispneia e a pesquisa de congestão através da ponderação racional dos achados clínicos, da seguinte forma:

 

  • Terceira bulha cardíaca (B?) - RP 11.0, IC 95% 4.9-25.0;
  • Refluxo hepatojugular - RP 6.4, IC 95% 0.81-51.0;
  • Turgência jugular - RP 5.1, IC 95% 3.2-7.9;
  • Estertores pulmonares - RP 2.8, IC 95% 1.9-4.1;
  • Edema de extremidades inferiores - RP 2.3, IC 95% 1.5-3.7.

 

ECG

 

Recomendamos a realização precoce de ECG de 12 derivações ou monitorização contínua em casos de instabilidade visando a identificação de fatores precipitantes e/ou predisponentes, principalmente:

 

  • Bradi ou taquiarritmias, com ênfase para a fibrilação atrial (FA) - RP 3.8,  IC 95% 1.7-8.8;
  • Alteração aguda do segmento ST.

 

Nesses casos, adotar conduta conforme protocolo específico.

 

  • Reiteramos que, frente a um ECG completamente normal, há uma redução significativa da chance de tratar-se de IC aguda ou crônica descompensada (RP 0.64, IC 95% 0.47-0.88).

 

Exames Laboratoriais

 

Recomendamos, inicialmente, os seguintes exames:

 

  • Hemograma;
  • Sódio;
  • Potássio;
  • Cretaninina;
  • Uréia;
  • Glicemia;
  • BNP ou NT-ProBNP
    • Preconizamos esse exame apenas para pacientes onde a causa da dispneia não seja clara à apresentação;
    • Via de regra, utilizamos um valor de corte para o BNP de <100 pg/mL como exclusão de etiologia cardiogênica em pacientes com dispnéia aguda;
    • Recomendamos atenção para variáveis capazes de aumentar (ex.: idade avançada, insuficiência renal, síndrome coronariana aguda, doença pulmonar com presença de cor pulmonale, tromboembolismo pulmonar maciço, estados de alto débito cadíaco) ou diminuir (ex.: edema agudo de pulmão, insuficiência cardíaca crônica estável NYHA classe I com fração de ejeção reduzida, insuficiência mitral aguda, estenose mitral, mixoma atrial) os níveis séricos do BNP.
  • Troponina;
  • Gasometria
    • Não recomendamos a realização de estudo gasométrico arterial de rotina. Sugerimos para todos os pacientes com distúrbio respiratório grave ou sinais de baixo débito cardíaco. Consideramos que uma amostra venosa geralmente é suficiente para a estimativa de CO? e pH;
  • D-dímeros
    • Quando da suspeita de tromboembolismo pulmonar (TEP), através de evidência clínica e/ou escore de risco validado;
  • EQU
    • Quando da suspeita de infecção do trato urinário;
  • Proteína C Reativa
    • Quando da suspeita de infecção sistêmica ou síndrome inflamatória;
  • TSH
    • Quando da suspeita de tireoideopatia;
  • Dosagem de digoxina sérica
    • Quando em uso de digoxina.

 

RX de tórax

 

  • Recomendamos a realização precoce de raio X de tórax em regime PA + P, se possível, ou AP em caso de incapacidade técnica;
  • Lembramos que o raio X de tórax pode apresentar-se normal em até 20% dos casos de IC aguda ou crônica descompensada.

Referências

Wang CS, FitzGerald JM, Schulzer M, Mak E, Ayas NT. Does this dyspneic patient in the emergency department have congestive heart failure? JAMA 2005 Oct;294(15):1944-56.
Rohde LE, Beck-da-Silva L, Goldraich L, Grazziotin TC, Palombini DV, Polanczyk CA , et al. Reliability and prognostic value of traditional signs and symptoms in outpatients with congestive heart failure. Can J Cardiol 2004 May;20(7):697-702.